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Fatacil: Cremilde Paias, a doceira que já nasceu nos doces

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Em Estombar (Lagoa), corria o ano de 1983, Cremilde Paias viu confirmado no papel aquilo que a linhagem familiar lhe traçara desde a nascença. Cremilde tornou-se doceira profissional. A doçaria na família desta algarvia começou com a bisavó. Uma arte que décadas volvidas continua arreigada ao processo artesanal de fabrico. Isto apesar da introdução de alguns conceitos novos na confecção de bolos.

Rodrigo terá sido o nome de um frade que vivia num mosteiro em Lagos, no Algarve. Reza que este frade dado às artes doceiras terá sido o autor dos famosos Dom Rodrigo. O doce algarvio viu-se assim apadrinhado com o nome do clérigo. A receita incorpora ovos, miolo de amêndoa, canela, açúcar. O preparo é depois embrulhado em papéis de prata colorida.

Cremilde Paias, doceira profissional há 28 anos, orgulha-se do preparo e esmero que dá aos ingredientes que dão origem aos seus Dom Rodrigo. Os doces são muito procurados pelos turistas, sobretudo pelo Verão. Cremilde tem a sua doçaria em Estombar (Lagoa) onde confecciona receitas inscrita no livrinho culinário da família. «Costumo dizer que nasci nos doces. Esta profissão na minha família já vem desde a minha bisavó. A minha avó e mãe continuaram e eu também. Já ensinei algumas coisas às minhas filhas, mas agora são elas que decidem se querem ou não continuar», comenta Cremilde.

A doceira assegura que o segredo da sua família não está nas receitas mas no modo como os doces são laborados. «As receitas já são muitas. E a nossa é semelhante às que há por aí. A diferença está na forma como confeccionamos. Um processo tão artesanal que lhe dá outro sabor», assegura.

A doçaria algarvia nasceu rica em amêndoa, ovos, alfarroba e figos. Produtos que a terra fornecia com abundância. Cremilde lança mão destes ingredientes. Vinca que «uma das nossas especialidades é o figo cozido com especiarias. Segundo a minha família, este doce terá surgido numa época em que os xaropes para dores de garganta, uma má disposição, ou outra coisa do género, se faziam em casa».

Na oferta da Doçaria Cremilde Paias, há ainda o bolo de alfarroba, arrepiados, «confeccionados com menos açúcar do que o habitual», frutos de amêndoa. «Gosto muito desta área. Fascina-me o que as pessoas inventavam com tão poucos recursos. Mas com o tempo, aquilo que me faz continuar na doçaria é a decoração», diz Cremilde Paias.

A doceira gosta de fazer bolos e decorá-los. «É um pouco de criatividade nesta profissão que segue muito a receita, de um modo geral», acrescenta. Cremilde adere assim a um novo conceito designado Cake Design e que consiste em confeccionar bolos decorados. Das mãos de Cremilde nascem bolos com o formato de sapatinhos (para recém-nascidos), bolos que recriam bonecos de desenhos animados, carros, entre outros objectos e temas.

Cremilde tem a fábrica em Estombar (Lagoa) e ponto de venda na cidade vizinha de Portimão. Confessa que gostava de poder colocar os seus doces mais longe «mas isto é tudo tão artesanal que seria difícil manter a sua originalidade e fazer mais quantidades para chegar a mais locais», explica.

Por agora, vai percorrendo «algumas feiras locais e algumas mais a norte, como em Santarém, e pouco mais», remata.

Fonte: Café Portugal

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